quinta-feira, 1 de março de 2018

Água de Semente

como a água


nem sempre participamos da colheita
mas, lembre-se


já fecundamos a avidez da semente


e essa dádiva
o que vem depois não tira



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

De Mistérios do Rio



como o rio passa e não se perde?
e ainda ensina a ser guardiã de mistérios?

sabe do rio, só o momento
quem mergulha naquela hora
ou passeia no raso
só sabe que vem onda ou barranco
quem conhece onde tem pedra

e sabe apenas daquela hora
e já perde o fio
lá adiante rio já transmuta
alguém represa
aí, na frente, vem leito liso, ou cascata, é caudal
do outro lado, praia, abismo, loca, grota seca

é da natureza ser passante, fluir e mudar

segue adiante
molha pirambeira, recôncavo, cabeceira
resvala
alimenta queda, cascata, corrente

o rio é
o rio há
o rio está
onde deve estar
para sobreviver
e avança
vai descansar no mar
sem morrer

terça-feira, 29 de agosto de 2017

comigo, comigo, comigo

A imagem pode conter: 1 pessoa, noite
( foto da Mariana Leal)

Não tenho compromisso com quem me congela 
com preguiça, ou desamor, numa imagem que um dia viu

não tenho compromisso

com o que pensam de mim


não tenho compromisso 

com o que enxergam


meu compromisso é 

comigo, comigo, comigo.

E assim, que venha o bem, o bom, o bonito, o mais bonito.
Com muito de inesperado... não planejado... nem pensado antes.

Com o apenas sonhado, não articulado... 
Com mais sensação e menos cálculo.

Vem, Amor.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Do Paó (para iyá Dora ty Oiyà)

( foto: https://www.facebook.com/olhardeumcipo/ ) 

do dia da caça...
de todo dia ser de Òsósí caçador

da espada e do escudo de Ogun 
da força das cachoeiras abundantes de Osun
da ventania purificadora de Oiyà
de, sob o alá de Òsàlá, manter-ser a salvo 
dos olhos perigosos...
dos covardes


( foto: https://www.facebook.com/olhardeumcipo/ ) 



quinta-feira, 2 de março de 2017

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Úmido

Fonte: http://gotartwork.com/Artwork/dancing-in-the-rain/18707/

A água veio do céu.
de dentro.
escorreu no chão.
No tempo da fé transbordar
E água se multiplicou em mãos irmãs
Adoçando o dia da festa para as crianças.

Tempestade lavadeira me pegou na trilha que escolhi
Aí veio o milagre da voz serena, embaixo da chuva
Escorrendo pelas valas da estrada vivida
Até vencer as distâncias e me acertar em cheio o olho
Dos lábios amados, em som distante
O tom daquela gargalhada que eu comeria para viver
O riso dançou com a tormenta  
E deixou tudinho úmido.  

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Aquele Cara

(Imagem: Milo Manara)


Aberta a porta
o beijo sem palavras foi o cumprimento 
em minutos...
todas as roupas no chão
 e as peles entraram em jornada para o alto
avançando encostas 
criando juntas um sistema de hidratação 
na base do suor 

um beijo mais longo que a noite
mantido intacto pelas quatro mãos 
nas duas cabeças coroadas pelos vinte dedos
sem pressa, mas com a força da imensa espera

língua, boca, dedos e mãos
extraindo todo tipo de líquido da pele
para sustentar um mundo que se torna fértil e úmido
é... o massapê da gente foi bem feito

olha...
a carne sabe de si e avança
cada parte do corpo vibra e dança
ijexá ensaiado durante centenas de anos
no voar  da mão percussiva
está a batida ecoando samba no meu no peito

e a felicidade 

onde, quando e como? 
com aquele cara, tudo!
no pensamento e nesta poesia
sorvi, suguei, salguei
e nada lamento